Chifrinho neles: Governador Sérgio Cabral e sua decisão de construir muros nas favelas do Rio

O governo do Rio de Janeiro vai construir 3,4 km de muros nas favelas da Rocinha, Chácara do Céu e Pedra Branca. O governador Sérgio Cabral justificou o projeto sob o argumento de que ele conterá o avanço de casas e barracos na mata ao redor dessas áreas.
Mais uma vez, vemos a poeira ser jogado debaixo do tapete. Uma decisão que busca conter um problema complexo através de medidas artificiais que não atingem sua verdadeira causa é novamente tomada pelos nossos governantes.
Pelo que você , cidadão, optaria se essa decisão estivesse em suas mãos: levantar muros e arrastar o problema por mais anos ou dar oportunidade de emprego para que aqueles que estão sem moradia possam construir suas casas em terrenos legais?
Essa hipótese não é nada irreal. Veja só: serão gastos R$ 21 milhões no projeto, que removerá 415 famílias de seus lares durante o processo de construção. Com esse valor, 420 casas populares de R$ 50 mil cada poderiam ser construídas, contribuindo para solucionar os problemas de déficit de moradias no estado e de ocupação de áreas verdes nos morros cariocas. Com mais o montante que será gasto para indenizar as famílias removidas, ainda mais casas poderiam ser construídas.
Além disso, não podemos ser ingênuos e deixar de considerar que, além do motivo oficial de preservação da natureza, a separação das favelas das “cidades legais” é também uma tentativa de encobrir a precária situação na qual se encontram os moradores desses espaços e omitir ainda mais a urgente necessidade de políticas públicas naquelas regiões.
Esse tipo de medida acaba sempre por fracassar e aumentar um problema que já é suficientemente grave. A poeira, uma hora ou outra, acaba por ser tanta que já não cabe mais debaixo do tapete. Um dia, as favelas e a desigualdade social, item no qual o Brasil é vergonhosamente campeão mundial, também não “caberão” mais dentro de muros.







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