Chifrinho neles: Aumento da poluição causada pelos carros em SP

Na imagem, a Avenida Paulista, ponto conhecido em São Paulo pelo grande volume de tráfego de carros, e o prefeito Gilberto Kassab e o governador José Serra com máscaras anti-poluição.
A cada dia vinte pessoas morrem por causa da poluição na metrópole de São Paulo, afirma uma pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da USP. Em comparação com os dados de cinco anos atrás, o número de mortes por doenças cardiorrespiratórias se elevou em 65%. A chance de ser vítima dessas doenças na região é de 11%. Se não houvesse a fumaça dos carros, o valor cairia para 2,4%.
Os números são assustadores e a rapidez com que vêm aumentando também espanta. Com esse crescimento, 25% do custo de internação hospitalar devido a essas doenças é bancado pelo sistema público, o mesmo que vem perdendo bilhões com o incentivo ao consumo de carros redução do IPI. É um ciclo cruel que prejudica o estado e seus habitantes: a redução do IPI diminui os impostos arrecadados e, junto à elevação social da população, resulta no aumento de venda de carros. Esse aumento, por sua vez, eleva o número de afetados pela poluição e os custos de tratamento dessas pessoas que correm sério risco de morte.
As medidas da prefeitura de SP que estabelecem que somente carros com índice de emissão de poluentes reduzido possam ser comercializados, não é suficiente para resolver esse problema. Isso porque a questão é mais profunda. Na sociedade de consumo, o carro é um dos elementos que mais definem o status social. Acontece que manter esse luxo, como revelam os números, custa muito caro.
O mais correto seria incentivar formas de transporte público como ônibus, metrô e trem, melhorando sua qualidade. Investir em ciclovias e em espaços públicos que respeitem as necessidades de todos os pedestres, também é uma forma de fazer com que as pessoas prefiram deixar o carro na garagem algumas vezes por semana. Criar uma nova consciência anti-autodestrutiva parte não só do poder público, mas da própria população. O meio ambiente e nós, que fazemos parte dele e estamos sendo tão prejudicados quanto, seriamos todos beneficiados se tais medidas fossem tomadas e se uma consciência anti-autodestrutiva fosse absorvida pela população da metrópole paulistana.







